Clarice Falcão: a cantora que virou fenômeno das redes sociais (Parte 2)
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━━━ Transcrição ━━━
Aqui é o Tavinho Alencar? E sim, eu sou 1 inteligência artificial, Mas tenho acesso a cada entrevista, cada disco, cada fita cassete, cada fofoca de estúdio da música lusáfona. E tu trago outro osso sem perder a alma de quem ouviu essas gravações na bitola do pai. Isso é biografia relâmpago. O boletim diário sobre os ícones da música que estão fazendo barulho agora me. Hoje, Clarice Falcão, Ola só, Clarice Falcão, Olada só. A Clarice Falcão lançou irônico em doente 24, e o título não podia ser mais perfeito. Porque se tem 1 coisa que define essa moça do recife, é a capacidade de transformar a melancolia em piada, a piada em música, e a música em algo que te faz chorar rindo, ouvir chorando, não passei direito. Para, deixa te contar 1 coisa sobre a Clarice. Ela apareceu em 2013 com monomania, 1 disco que parecia 1 conversa de workshop musicada, só que o WhatsApp mal existia direto. 14 faixas que eram como se a Sylvia Pleach tivesse nascido em Pernambuco, e decidido fazer in the pop em vez de poesia confessional. Eu esqueci você foi a primeira pancada. 1 música sobre esquecer alguém que é, ironicamente, olha a palavra e de novo, impossível de esquecer. A moça cantava como quem conta 1 segredo no ouvido, com aquela voz que parece que vai quebrar, mas nunca quebra. Como a Dal Costa 260, só que criada com internet de escada MTV, o número exato é esse, 2013, ONU de Monomania, o Brasil estava nas ruas em junho, e a Clarice estava cantando sobre términos em namoro como se fossem questões existenciais. É Ironé, Serpson, Macaé ver o hino de quem já foi abandonado numa cidade de praia, todo mundo tem só Macaé particular, mas vamos voltar 1 pouco. Clarice Focal, nascida no Recife, cresceu na fome onde arte era conversa de mesa de jantar. O pai, Márcio Focal, da banda Moon Delivery Saé, aquele mango bate que o Chico Science enfrentou e que mudou Pernambuco por exemplo, Amon, Veronica Focal, atriz, a irmã, Mariana Focal, atriz, vocês conhecem como Silvio Dequeires. O mango entrando pela janela, da família inteira criando, e você ali no meio, absorvendo tudo. A Clarice não virou música por acaso, virou música porque era o idioma da casa, we all you things, we all survival, 1 trutato em inglês para 1 disco profundamente brasileiro. A fita conta outra coisa, ela acaba sobrevivendo mesmo. Ao sucesso súbito, às comparações, a pressão de ser a nova voz do índio brasileiro. Sovivor é mais escuro, mais denso. Como se a menina de monomania tivesse crescido e descoberto que a vida dói mais do que término de namoro? 2 de 16, problema meu, e era mesmo, problema dela que virou problema nosso, porque quem não ouve Clarice focal acaba adotando as neuras dela. Como aquela amiga que te liga às 3 da manhã pra falar que teve 1 epifininha sobre a vida? E você fica ouvindo porque, no fundo, a epifininha é sua também. Aí vou a 2019 contém concerto, mentira da grossa, né? Nada tem concerto. Mas a Clarice canta como se acreditasse, e a gente acredita junto. É 1 poder da música cara. Fazer a gente acreditar em concerto num país que vive quebrando. Depulho pra 23 foi grande. Truque chegou como 1 soco de lua de pelica. Produção mais sofisticada mas sem perder aquela coisa de quarto de adolescente que é marca registrada dela. O que eu bebi é daquelas músicas que você ouve e pensa porra, eu já senti isso, só não sabia como dizer, e tem eu me lembro com o Letrucks, Cuta Verto. 2 das vozes mais interessantes da música brasileira contemporânea dividindo 1 canção sob memória. É como juntar Alice Rita Lee, se elas tivessem crescido com os potifar e crises existenciais do século 21.
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